terça-feira, 15 de março de 2016

Repensar a educação a partir da tecnologia? Papo atrasado ou adiantado?



Você já parou para pensar na sutil, porém gigante, diferença entre educar e ensinar? Quando buscamos, ou buscaremos, uma escola para nossos filhos pensamos em qualidade na educação, isto é fato, porém procuramos qualidade na educação pensando em qualidade de ensino, a maioria quase absoluta das pessoas, principalmente os pais não sabe a diferença entre educar e ensinar, procuram um desejando o outro. Em poucas palavras resumiremos ara buscar elucidar tal diferença a partir da distinção apresentada por Moran, ensinar é o simples ato de transmitir algum conhecimento a alguém, educar é fazer parte da vida de alguém, participar ativamente da construção do conhecimento, vai além do técnico, mergulha no vivencial, no relacional.

A a partir desta sutil e profunda diferença nos questionamos, qualidade de ensino/educação se dá a partir de uma escola com altíssima tecnologia? A resposta que primeiro nos parece ser plausível é que sim, pois se utilizando da tecnologia podemos nos aproximar mais de nossos alunos, de sua linguagem, as aulas se tornam mais atrativas à estes, despertando-lhes o interesse pelos estudos, levando-os à um aprendizado maior e mais significativo e, consequentemente, à um resultado mais satisfatório, principalmente quando o assunto for notas e avaliações. Porém toda a fórmula mágica contém em si perigos e efeitos contrários. Nunca antes na história da humanidade se teve um acesso tão abrangente das massas à tecnologia e a informação, isso certamente é um avanço, porém, ao mesmo tempo, nunca se teve tanta dificuldade para saber lidar com as tecnologias e filtrar as informações. Isso ocorre dentro das escolas, enquanto queremos um ambiente de aprendizado todo informatizado, com lousas interativas digitais, notebooks, internet de alta velocidade, softwares avançadíssimos, muito dinamismo e interatividade, esquecemos de trabalhar o material humano que temos e somos, buscamos mudanças extremas nas estruturas das instituições escolares, tanto publica quanto privadas, mas encaramos diariamente um retrocesso humano sem precedentes, onde o convívio está abalado, onde a educação está doente, temos um ensino cada vez mais de qualidade, mas uma educação cada vez mais problemática.

A mudança que buscamos passa pelas estruturas, passa pela abertura de cada um, seja ele gestor, professor ou aluno, passa pela família e sua relação com o processo educacional, passa pelo afeto vivenciado, passa pelo saber que nada sabe do velho Sócrates, passa pela abertura ao novo e pela humildade diante dos próprios limites. Passa, enfim, por professores que inovam, por alunos que se empenham, por gestores que se abrem, por relações que se criam, por tecnologias que se aplicam de modo eficiente e por uma comunicação clara, passa pela construção cooperativa, em síntese, passa por pessoas que não se acomodam e na era da tecnologia se utilizam delas para aprimorar sua prática.

Este texto foi escrito de modo a buscar refletir a partir do texto de José Manuel Moran, “ensino e aprendizagem inovadores com tecnologias audiovisuais e telemáticas” publicado no livro Novas tecnologias e mediações pedagógicas. Se te agradou e quer saber mais sobre como repensar as relações e sua prática, acessa o texto, dá uma lida e questiona, assim como nós o fizemos.


Por Altemir Schwarz e Magda Frare

2 comentários:

  1. Altemir e Magda, achamos de extrema valia o post que vocês nos colocaram a disposição! Acreditamos juntamente com vocês que uma educação de qualidade vêm de professores que possibilitem acessos diferenciados a nossos alunos(as).Professores que se utilizam de tecnologia, assim como vocês escrevem nesse post com certeza, conseguem se aproximar mais da vida desses educandos, interligando conteúdos diários com ferramentas que os mesmos usam frequentemente e são desejáveis por eles. Professores, devem portanto, se habilitar e se capacitar para que isso aconteça! Nós como futuras profissionais da educação acreditamos que a tecnologia e a sala de aula, tem uma interligação que dá certo, basta nos abrimos para que isso ocorra!
    Atenciosamente,
    Aline e Siliane.

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  2. Realmente a diferença entre ensinar e educar, destacada no texto, elucida o importante papel que a escola (o ambiente escolar) desempenha na vida do aluno e de sua família, comunidade. Também, de se destacar que o texto nos faz refletir, a partir desta definição de ensinar e educar, que a qualidade do ensino perpassa não apenas por belíssimas e robustas estruturas físicas das escolas, mas pela qualidade, reconhecimento, qualificação e valorização de professores e funcionários, que são os reais responsáveis pela educação emancipadora. Ótimo texto, com linguagem acessível!

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